Ingryd Fraga

Não sei o que nos diferencia do mundo ou o que nos separa dessa terrível linha que todo mundo é obrigado a seguir. Mas nós somos loucos demais para darmos muitas explicações. A gente não tem nenhuma regra, nenhum limite, nada que nos imponha uma postura politicamente correta e os pés no chão. Amigos. Ah, como somos amigos, nesse mundo lindo e perdidamente falso. Como somos tão engraçados dentre tantas outras pessoas e tantas brigas internas nossas. Viramos a cara e as costas na intenção de nunca mais voltar atrás. Só que, por algum motivo, voltamos, sem querer. É sempre uma volta sem restrições, como se nada tivesse acontecido, sem um diálogo sobre o que fizemos ou deixamos de fazer, sem contar como foi os dias que passamos sem a companhia um do outro. Porque no horário da tarde, olhando pro café sobre alguma mesa, falta os nossos biscoitos maizena e os cigarros na varanda. Falta tanta coisa quando a tarde cai e você não cai do céu se equilibrando bem ao meu lado. Eu sinto falta de nós dois juntos sobre o lençol rosa que cobria a minha cama. Me falta o tempo e a coragem de te dizer que, vez em quando, bem de vez em quando, a minha voz nem sai quando me perguntam em como você vai ou como nós vamos. Vamos por aí, né? Cada um em sua faixa, não há nada que nos sele, que nos faça ou refaça. Passei tanto tempo querendo te olhar tendo a certeza de que amor maior não existia, hoje eu só quero que ele acabe de vez, saia da minha vida assim como nunca entrou na sua. Porque qualquer instante e segundo que passe por mim como o vento, é muito tempo sem você. A minha gargalhada mais alta não se completa, silencia de repente, pois não tem você para terminá-la. Me diz, como é que faz pra ser feliz quando as últimas importâncias de sua vida estão presas em alguém que nunca mereceu nem seu tempo e nem seu lençol rosa da cama? Como é que se aceita a vida quando o motivo de viver já foi alguém que já falou montes ao telefone aos berros por não ter mais saco com você? É tudo tão complicado. Errado demais para dar certo. Incoerentes demais para nos levarmos adiante, pois somos muito nós mesmos um com o outro. E se conhecer bem demais desse jeito nunca dá em boa coisa. O que eu sinto por você com certeza é o que nomeiam de amor desde o início dos tempos. Amor é frenesi. É ódio e paixão, incertezas e segurança. É saber que por onde você andar, eu estarei ao seu lado, porque estamos aqui para nos apoiarmos em qualquer momento. Seguramos muitas barras pesadas, passamos por momentos que muitas vezes aparentam serem o fim dos tempos, só que nos surpreendemos com os acasos da vida, que nos provam cada vez mais que nunca vamos nos deixar. Ainda que o nosso corpo não se toque, nossas mãos não se entrelacem e nossos beijos não se façam presente, as palavras amigas e os conselhos intermináveis são os que nos mantêm nesses tempos de tamanha cólera. O fato é que não passamos de João e Maria ao meio de tantos casais e personagem lindos que com certezas nós não podemos compôr. Eles são demais para a nossa oca relação. Pura aparência. Nossa relação interna é lixo, mas a externa é tipo casal Hollywood que nega até o último fio de cabelo ao repórter que aquele relacionamento existe e o risinho amarelo é direcionado à câmera seguindo de um: somos só amigos. Amigos porra nenhuma, o mundo inteiro sabe o que se passa. E por algum motivo não concreto demonstramos ser bons amigos ao caminhar por aí sem a certeza do que queremos, mas sabendo claramente o que não queremos. A gente não se entrega, porém não recua. Vivemos de oposições e contradições como se isso não pudesse nos prejudicar algum dia. Hoje estamos bem. Rindo por tudo, falando sobre aniversários e brincadeiras de terceiros. Não há papo sobre nós, sobre o futuro incerto que insistimos em imaginar por mais que tudo não passe de uma fantasia bem ilustrada. Sinal de amadurecimento. Ou de vergonha na cara. Ou cansaço mesmo. Passamos do tempo, da hora e da noção. Em contrapartida estamos num tempo harmonioso e com muita coragem e paciência de sermos nós mesmos novamente sem passarmos dos limites. Nos mantermos firmes é a melhor escolha para a vida e para o coração. Se já não sabemos viver distantes, que a aproximação seja sinônimo de um bom convívio. Sem atrasos, compromissos ou qualquer outra coisa que nos faça duvidar de uma possível nova castidade entre nós. Fomos muito longe para retrocedermos e pararmos aqui. Mas valeu a pena. Você sempre valeu a pena, meu amor…

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